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Histórico

O Programa de Prevenção ao Preconceito Étnico (racial) teve seu despertar num momento em que um jovem professor defendia sua experiência de vida, sob o aspecto étnico, há mais de vinte anos, época de embates políticos-ideológicos acalorados, salpicados de uma dose do radicalismo black power americano.

Ele, negro, de padrinhos alemães, sendo que os filhos de seus padrinhos, juntos com um outro grupo de crianças filhas de japoneses, eram os parceiros, colegas, amigos... de toda a infância e adolescência, nas escolas, nas caronas, na bola de gude, na pescaria, no futebol...no empinar da pipa, e também na agricultura, as famílias mantinham essa prática e mantinham um comércio entre si. Até hoje, no mínimo colegas. Seu pai, sujeito muito altivo, contava com orgulho a saga afro-brasileira. Ele não se atentava de que sua experiência era impar. Não foi bem no "teste" para militante naquela época de experiências muito ricas, politicamente e culturalmente. Anos depois, com raras intervenções, afastou daquelas atividades. Direcionou o assunto à luz da educação. Percebeu que havia um grande medo velado sobre as relações étnicas (raciais), até certo ponto um medo justo, já que medo é um sentimento que se manifesta diante do desconhecido. E Este até então, é um assunto embernado, encubado e delicado.

Todos que estudam o assunto sabem desse medo, que pode ou não gerar ação. Ainda hoje documentos oficiais mostram que esse medo advém, principalmente, do desconforto que é ser descendente de seres que foram escravizados, sendo que é também desconfortante ser descendente de seres que foram escravizadores. Há sim, uma tensão nas relações étnicas. O Governo brasileiro reconhece isso. Tem também o medo da palavra "negro". Negro, um termo que era pejorativo na escravidão foi tomado como um orgulho, pelo movimento negro. E agora, se expressa ou não a palavra "negro" ou "negra”. Todo brasileiro está obrigado a pronunciar de alguma forma estas palavras. Elas compõem nomes interessantes... Serra Negra, Diamante Negro, Rio Negro, Floresta Negra, cabeça-de-negro, lama negra, Montenegro, Agulhas Negras. Existem outras composições com o termo, nem tão interessantes assim, em nome do politicamente correto, como, dia negro, vala negra, lado negro. Agora mancha negra é uma ofensa, em nome do politicamente correto, exceto para torcida de futebol. Ovelha negra, para música e para o dia-a-dia, é bastante tolerável, E preto e preta pode?. Pode sim, para a música, para expressar carinho, e para o IBGE pelo menos, ... Os adjetivos à palavra “negro” que é a questão.

Parece mesmo confuso, mas esse medo precisa ser superado, lembre-se de que ninguém, hoje tem culpa pelo que aconteceu no passado, mas todos são responsáveis, no mínimo por uma convivência pacífica. Todas as diretrizes sobre o assunto apontam para isso.

Depois queríamos entender como e porque as pessoas se tornam racistas, foi outra "viagem", que realizamos para entender o assunto. Uma busca curta, bastou para entender o processo de aprendizagem da criança. A Partir daí, creches, escolas, clubes.. serviram como laboratórios para nosso trabalho. No início dos anos noventa queríamos entabular um forma, um método, dar um jeito... para que pudéssemos vencer esse medo do assunto étnico e abordá-lo, naturalmente na rotina escolar. Sabíamos que o preconceito racial (étnico) é uma condição aprendida.

Passamos quase oito anos, preguiçosamente, burilando o trabalho nas oportunidades que surgiram e ultimamente em sabatinas e palestras. Não temos a intenção de esgotar nenhum assunto, até mesmo porque, para apresentá-los, consideramos a necessidade de que todos os professores precisam ter suas tarefas simplificadas, sistematizadas, resumidas de forma que se mantenha a essência, apontando caminhos para mais conteúdos.

Na verdade, nosso sonho, é que consigamos manter na criança aquele comportamento que ela tem com as outras nas creches deste Brasil, em relação a etnias, ou seja, sequer dão atenção a isso, apenas brincam, naquela idade, a cor da pele é ignorada nas relações. Curioso paradoxo, é que deveríamos aprender literalmente, com elas, as crianças.
Prof. Valmir de Almeida